Ensaios HEIDRUN KRIEGER OLINTO

RELATOS AUTOBIOGRÁFICOS DESFOCADOS

 

Heidrun Krieger Olinto (PUC-Rio)

1. A disseminação de experimentos historiográficos autobiográficos produzidos por historiadores e teóricos da literatura, no final dos anos 1980, permite sinalizar complexas articulações entre uma história da vida privada, as convicções profissionais explicitadas em comunidades científicas e compromissos tácitos assumidos em contextos histórico-políticos específicos. Esses experimentos devem a sua configuração a certos fatores interligados e traduzíveis, na esfera das humanidades, como despertar epistemológico. O termo, usado nos anos de 1970, com especial ênfase pela chamada nouvelle histoire francesa, marcou o campo disciplinar da história afetando os pressupostos de sua teorização, de sua investigação prática e de sua escrita, motivando reflexões novas acerca dos modelos explicativos e das opções de sua configuração historiográfica, tornando visível o envolvimento pessoal do historiador em seu ofício profissional praticado na esfera institucional da academia. A ressonância desta revolução paradigmática de ordem epistemológica, com efeitos políticos e escriturais, percebe-se no crescente interesse pela reflexão teórica aliada à prática historiográfica, sintetizada pelo historiador francês Michel de Certeau na expressão de opération historique (CERTEAU, 1982). Essa bela fórmula relacionada ao conjunto de ações implicadas nesta tarefa pela combinação de um lugar social, de práticas científicas e da escolha de formas de representação, deu relevo especial a experimentos de historiografia (auto)biográfica ao colocar no centro da investigação o próprio historiador autorreflexivo e as suas estratégias de produção de saber. A soma desses fatores resulta do compartilhamento de certos princípios e repertórios teóricos compartilhados em função do pertencimento a determinados espaços institucionais acadêmicos e, ainda, das convicções expressas e das condutas adotadas ou pretendidas extramuros, seja na vida privada, seja na esfera pública (OLINTO, 2005).

Quando o historiador francês Pierre Nora publicou em 1987 uma coletânea com o título Essais d’ego-histoire, um experimento historiográfico baseado em depoimentos de sete entre os mais representativos novos historiadores franceses, responsáveis em parte por este “despertar epistemológico”, ele não apenas transformou convicções teóricas e epistemológicas em prática, mas tornou pública uma discussão até então restrita aos recintos da comunidade científica unida por compromissos institucionais e preferencialmente alheia a possíveis demandas políticas (NORA, 1987). As autobiografias intelectuais desses historiadores, assumindo explicitamente a primeira pessoa do singular, exibem aspectos de sua vida pessoal, com o propósito de vinculá-los com a sua experiência profissional e acadêmico-institucional em diversas fases de sua existência. Tratando-se de integrantes de um grupo que nasceu nas primeiras décadas do século XX, tendo ingressado na comunidade científica dos historiadores após a Segunda Guerra Mundial, fica patente que a sua vida se inscreve na história contemporânea marcada por momentos políticos de extrema gravidade e complexidade. Assim, a publicação destes Ensaios de ego-história abalou ainda uma espécie de tabu profissional que René Rémond, um dos autobiógrafos do volume, formulou no subtítulo da sua contribuição, do seguinte modo: “Os historiadores não se confessam” (RÉMOND, 1989, p. 287). Um tabu que, de certo modo, funcionava como álibi conveniente para que historiadores franceses – testemunhas da história contemporânea de 1933 a 1945, participantes ou não da Resistência, colaboradores ou não de Vichy, defensores ou críticos da guerra da Argélia – pudessem expressar, dissimular ou ocultar tomadas de posição incômodas nas questões políticas explosivas naquele tempo alegando compromissos profissionais com a realidade objetiva com base em princípios de imparcialidade no uso de suas ferramentas de investigação científica.

A novidade destes relatos autobiográficos entende-se a partir do libelo a favor da visibilidade do próprio historiador e de suas estratégias profissionais, em sintonia com a ideia de que o produto de seu trabalho não se legitima apenas em função de conhecimentos específicos, mas igualmente pela circunscrição do próprio lugar social histórico. Evidenciando, deste modo, a função participativa e seletiva de sua atuação, o que se impôs foi, assim, uma consciência aguda da posição do observador de segunda ordem no processo de investigação, o que confere um estatuto singular à história como ciência. Nesta ótica, ela não corresponde à ressurreição ou reconstrução de um real passado pelos instrumentos profissionais do historiador, mas a um processo seletivo, que, ao comportar aspectos subjetivos, deixa de ser uma construção definitiva, mas ganha valor pela qualificação de honestidade intelectual. Se, nesta perspectiva, fatos não são dados, mas construídos a partir de escolhas do historiador, que com elas constitui um corpus de fontes privilegiadas de acordo com suas possibilidades, competências e preferências, o papel do historiador como observador e construtor adquire uma nova dimensão que precisa ser explicitado. Além da busca do conhecimento histórico – legitimada pelo consenso intersubjetivo dos pares que formam um grupo corporativo institucional –, infiltram-se neste processo interesses pessoais, convicções ideológicas, ambições em relação à carreira e posturas face a demandas sociais e políticas. Em seu conjunto, são eles que dão perfil às suas escolhas, mas escapam, via de regra, ao olhar do leitor (OLINTO, 2003).

É no âmbito destas questões que se pode compreender o interesse despertado pelas ego-histórias de um grupo profissional, a partir da possibilidade de entender a tarefa do historiador e as suas realizações no contexto da extensa rede de pressupostos que abarcam igualmente os seus compromissos com uma comunidade científica que funda a sua objetividade na intersubjetividade, acentuando, deste modo, o caráter público da tarefa do historiador. Ainda que Pierre Nora constate em sua “Conclusão” dos Ensaios de ego-história uma “abertura brutal” nas sete contribuições, evidenciando uma “bulimia tenaz” que se apodera dos historiadores (NORA, 1989, p. 343), ele não esconde sua decepção com “certa timidez perante o exercício proposto”. Mesmo assim, levando-se em conta as hesitações e dúvidas ao aceitar o incômodo convite, o resultado global, segundo ele, revela “um entusiasmo e uma coragem que é preciso aplaudir” (NORA, 1989, p. 360).

2. É possível estabelecer paralelos entre os Ensaios de ego-história de Pierre Nora e a proposta do teórico e historiador da literatura Hans Robert Jauss, “Historia calamitatum et fortunarum mearum or: A Paradigm Shift in Literary Study”, originalmente encomendado por um órgão oficial, o instituto alemão de fomento à pesquisa Deutsche Forschungsgemeinschaft (JAUSS, 1989). Este ensaio, publicado com dois anos de diferença, foi idealizado como “piece of scholarly autobiography” (JAUSS, 1989, p. 113) e não como análise objetiva do estado-da-arte no território disciplinar dos estudos literários. A configuração desta autobiografia historiográfica como um capítulo da história da teoria da literatura faz parte da coletânea Future Literary Theory (1989), idealizada por Ralph Cohen como documento autobiográfico acerca do envolvimento pessoal de Jauss nas transformações de profundo impacto neste campo de investigação. O próprio título, em latim, explicita essa intenção: história de minhas desventuras e venturas. Focando o advento da chamada Estética da Recepção, na segunda metade da década de 1960, o autor oferece, portanto, a sua visão dos motivos que o levaram a abandonar os caminhos e objetivos tradicionais das distintas filologias de cunho histórico-positivista a favor de um modelo teórico concebido como diálogo entre os parceiros de um processo de comunicação literária historicamente situado. O problema enfrentado por Jauss, naquele momento, dizia respeito ao modo de transformar experiências subjetivas em prognósticos válidos sem precisar violar uma regra básica da comunidade científica: “a scientist should never attempt to judge his own contributions whether significant or not, but specially when not.” (JAUSS, 1989, p. 112). Nesta condição, a sua opção pelo acento sobre o futuro passado da disciplina permitiu-lhe delinear um fragmento da história de “scholarship” baseado no envolvimento pessoal, tanto como testemunha e líder atuante quanto de objeto passivo de um processo de investigação. Uma opção de via dupla que o resguardava, simultaneamente, da lógica do desenvolvimento teleológico linear de início, meio e fim, e favorecia uma ótica retrospectiva que lhe permitiu ensaiar uma história a partir da descontinuidade de sua vivência pessoal, ainda que permanecendo vinculada às experiências e ao horizonte de expectativa do seu grupo de pesquisa. Esta pequena comunidade científica então emergente, conhecida como Escola de Konstanz, tornou-se a primeira geração pós-guerra empenhada na renovação dos estudos literários no espaço institucional da recém-criada universidade na esteira das reformas de 1968, e do apelo explícito à democratização do ensino, fortemente vinculado ao próprio projeto de democratização da Alemanha pós-guerra. Enquanto durante a reconstrução das universidades alemãs – “após os excessos das histórias nacionalistas da literatura no período hitleriano” (JAUSS, 1989, p. 114) – as filologias modernas se voltaram para os campos convencionais dos estudos literários baseados no historicismo neopositivista, na análise formal de textos e na interpretação imanente, alheias a controvérsias políticas e sociais candentes, o projeto de Hans Robert Jauss despontava como defesa tanto da relevância científica quanto da importância social e política de sua disciplina. É nesta moldura que ele vinculava a sua trajetória pessoal, por um lado, com o sucesso do projeto científico por ele promovido e, por outro, com o projeto político de alcance mais abrangente: a redemocratização da própria Alemanha pós-guerra. Mesmo assim, o relato autobiográfico não esconde a frustração e decepção porque o projeto da Estética Recepcional, tendo conhecido inquestionável prestígio internacional, no próprio país não se transformou em programa modelar para os estudos literários. Na visão de Jauss, este fracasso deve-se ao “controle oficial exercido sobre a educação e por causa de uma política universitária restritiva nos anos 70.” (JAUSS, 1989, p. 124).

Se a coletânea publicada por Ralph Cohen, intencionalmente concebida como revisão em primeira pessoa da história da teoria da literatura e de seus vínculos com movimentos sociais e políticos, demandava simultaneamente a exposição de motivações corporativistas e de desejos pessoais implicados na construção de repertórios teóricos privilegiados nas reformas institucionais da disciplina, o relato autobiográfico de Hans Robert Jauss frustra, obviamente, todas as expectativas depositadas no experimento e contrasta com a abertura e franqueza de outras contribuições. A dimensão pessoal presente neste ego-escrito não vai além de pequenos gestos autorrepresentativos das tensões e contendas rotineiras em pequenos grupos científicos, como a chamada Escola de Konstanz. Neste aspecto, a historia calamitatum et fortunarum mearum de Jauss se entende simultaneamente como exemplo singular e como história exemplar. Não é pela escrita de si que ela configura uma experiência única e pessoal, mas antes se trata de uma (re)construção compartilhada por toda uma comunidade acadêmica de produção de saber que, por seu lado, não flutua em vácuos sociais e políticos históricos. Ao contrário, ela molda as suas respostas de acordo com o clima intelectual de seu tempo, ainda que estas possam ter caráter dissidente ou permanecer propositalmente ocultas (OLINTO, 2005).

Uma comparação desse relato autobiográfico intelectual com as ego-histórias publicadas pelos historiadores franceses chama atenção pelo acento sobre a vida de Jauss enquanto teórico integrado em uma comunidade científica que enfrentou dificuldades e controvérsias internas no próprio corpo acadêmico, acrescidas por descaso e desinteresse por parte de órgãos administrativos governamentais externos responsáveis pelos programas curriculares oficiais do ensino escolar. Mas as frustrações, pequenas alegrias e os orgulhos presentes em suas manifestações ocupam basicamente este contexto institucional, sem abrir brechas para pequenas ou grandes demonstrações de sensibilidade na esfera da vida privada. Muito menos ainda exibem gestos autorreflexivos com respeito a sua atuação na esfera pública fora do espaço universitário, em momentos tão complexos e excepcionais da história política alemã passada e presente. Os excessos do “período hitleriano” são computados por Jauss apenas como ênfase exagerada sobre histórias literárias “nacionalistas”. Tais ausências (voluntárias) são investigadas e denunciadas posteriormente por seus biógrafos, que já nos anos 1980 começam a insinuar as suas nebulosas condutas nos tempos do Nacional-Socialismo e questionar os motivos alegados para o seu obstinado ocultamento.

Hans Robert Jauss morreu em 1997. Em maio daquele mesmo ano se realizou um congresso em Düsseldorf com a seguinte pauta: a descoberta, em 1995, por ocasião das comemorações dos cinquenta anos do fim da guerra, da falsa identidade do reitor da universidade, Hans Schwerte, um antigo membro da SS, que iniciou, após 1945, uma notável carreira na Universidade de Erlangen (LOTH; RUSINEK, 1998). As análises voltadas para a atmosfera social, cultural e política no início dos anos 1950, quando os estudos germânicos ainda estavam nas mãos de antigos membros do partido nazista (NSDAP), tinham por objetivo uma elaboração sincera do passado nazista e dos crimes de guerra na esfera pública, com destaque para a postura das universidades, para fazer face à autoestilização de muitos intelectuais, ora como vítimas passivas ou participantes ativos da resistência a Hitler, ora ocultando ou negando simpatias ideológicas com o Nacional-Socialismo. Neste contexto, quando em abril de 1995, passou a ser de domínio público a verdadeira identidade do germanista, ex-reitor da Universidade de Aachen, Hans Schwerte, o decano da Faculdade de Filosofia da Universidade de Erlangen-Nürnberg incentivou um debate político-moral amplo acerca do posicionamento verdadeiro das universidades durante o Terceiro Reich, consubstanciado na seguinte afirmação polêmica: não temos o direito de julgar moralmente uma geração anterior só porque somos posteriores e não fomos submetidos ao dilema daquela geração. A sua observação, fundada na suspeita da apatia das elites intelectuais mesmo após o fim da guerra, correspondia a uma convicção comum, de que o currículo de Schwerte se assemelhava em muitos aspectos às transformações da própria Alemanha pós-guerra, empenhada na adoção de uma nova identidade, em busca do apagamento de um passado ignóbil. Esta constatação abrangia, de modo geral, a situação das universidades alemãs que, durante o regime nazista, não tinham assumido o papel de fortalezas de resistência a Hitler e mesmo depois não se destacaram exatamente por um pensamento anticonformista.

No campo das humanidades, e mais especificamente no campo das letras, o germanista Jochen Hörisch defendeu naquele congresso uma hipótese explosiva acerca do território politicamente problemático dos estudos literários, ao traçar um paralelo entre o caso Schneider–Schwerte e o caso de dois teóricos da literatura, Paul de Man e Hans Robert Jauss. Os dois tinham ganhado prestígio e relevância como intelectuais engajados em mudanças políticas no interior da esfera disciplinar das letras; e Jauss atuou também como agente engajado na reforma universitária integrada ao projeto mais amplo da democratização da Alemanha pós-guerra. Além do mais, ainda que simpatizantes do nazismo até o fim da guerra, ambos ostentavam o perfil de liberais de esquerda, ocultando cuidadosamente essa parte sombria de sua biografia pessoal. Para alguns, o silêncio era compreensível porque, segundo teses oportunistas, prevalecia, entre os intelectuais acadêmicos, uma vontade irresistível de pertencer à elite, seja no tempo 1933-45, seja no tempo das manifestações estudantis e das reformas de 1968.

Tanto no recinto universitário quanto no projeto democrático defendido publicamente, Hans Robert Jauss representava uma figura modelar na defesa de um novo projeto teórico para os estudos de literatura, fundado sobre a participação do leitor no processo de comunicação literária. Com formação hermenêutica de esquerda, ele teve importância significativa nos anos da reforma universitária com o seu projeto de uma Estética da Recepção, disseminado em escala internacional durante a década de 1970.

Sob o peso do ostracismo posterior à descoberta do seu passado marrom, Jauss ensaiou, em 1996, algumas explicações poucos meses antes de morrer, numa entrevista ao jornalista Maurice Olender, no Le Monde (OLENDER, 1996), tentando tornar plausível a sua adesão ao nazismo como equivocada avaliação de sinais de modernidade progressista e tentando justificar o seu distanciamento posterior do conteúdo de comprometedoras cartas descobertas do jovem SS, pela falta de coragem de lê-las, por ter se tornado estranho a si mesmo.

Before I turn to the history of a young German who was seventeen years old when the war started, I would like to remind people that there are at least three ways of understanding history: the history that unfolds in the present, in which one finds oneself engaged as an actor; the history into which one finds one self passively propelled, as a witness so to speak; and finally, the history that has taken place and become an object of reflection. When one attempts to examine one’s own past, those three levels may overlap, but recomposition through memory prevails. What presuaded me to enter the Waffen-SS was not really an adherence to Nazi ideology. As the son of a teacher, member of the petty bourgeoisie, I was a young man who wanted to conform with the atmosphere of the time. (OLENDER, 1996)

Isso significava para Jauss e outros historiadores estar presente onde a história estava acontecendo, ou seja, participando da guerra. “In our view, to do otherwise would have been to flee, to confine ourselves within an aesthetic attitude, while camarades of the same age were risking their lives”. Segundo ele, apenas no fim da guerra teve consciência do horror dos crimes cometidos pelo regime nazista que “surpassed absolutely anything imaginable in a civilized nation”. A conversa girava em torno do tema da culpa, da responsabilidade de uma geração e do fracasso do autoquestionamento acerca da própria contribuição para a catástrofe do Terceiro Reich acrescido pelo completo silêncio dos professores, uma vez que a universidade deveria ser o lugar de esclarecimento e humanismo. Nos argumentos de Jauss, o mutismo, neste caso, estava ligado à completa recusa de entender o inumano. É nesta moldura que ele explica a sua própria maneira de lidar com a culpa e a vergonha tentando

(...) to transform the guilt and shame by a collective action that allows you to leave a deadly past behind you. As for myself, I have endeavored to reform the outdated structure of the German university. In creating the Poetik und Hermeneutik group in 1963, with Hans Blumenberg and a few other friends, Iembarked on an intellectual project that opposed any tendency to return to the idea of nationality or race as meaningful vectors in the human sciences. (OLENDER, 1996).

3. Hans Ulrich Gumbrecht, um de seus orientandos de doutorado, volta reiteradamente a essas questões, ensaiando uma narrativa autobiográfica singular a respeito do lugar de Jauss na história dos estudos literários e na história da Alemanha, a partir de acentos sobre a sua complexa relação pessoal e institucional com ele. Em 2006, entrevistado por Ulrik Ekman, do Departamento de Estudos Culturais e Artes da Universidade de Copenhagen, Gumbrecht se refere ao conjunto de seminários organizados por ele, em parceria com Ludwig Pfeiffer, em Dubrovnik nos anos 1980, na “still almost socialist yugoslavia” (EKMAN, 2006, p. 2), como preocupação em manter vivos os impulsos teóricos e filosóficos nas humanidades, originados nos “earthshaking years” (EKMAN, 2006, p. 2) por volta de 1970. O lento apagamento do seu vigor, durante a década subsequente, a partir da percepção dos limites da tradição hermenêutica e de seu “universality claim” (EKMAN, 2006, p. 11) motivou, em sua visão, a busca de uma epistemologia não-hermenêutica que desafiasse o privilégio dado à interpretação. O que me interessa nesta justificativa é o estilo pseudofreudiano das razões particulares alegadas a favor de suas próprias contrapropostas ensaiadas nos encontros dubrovskianos e aprofundadas em sua defesa dissonante do não-hermenêutico, da materialidade da comunicação, da produção de presença.

Of course I will not venture any kind of self-reflexive psychoanalysis here. Let me admit, rather, that there is clearly some academico-Oedipal dynamic at play here – about which I have recently written for the first time (...). My own Doktorvater and first academic boss (whose name I had sworn I would not mention in the public sphere again) was a great admirer (rather than a student, as he claimed) of Hans-Georg Gadamer, who was himself a student of Heidegger – who was a student of Husserl; this is a heavy genealogy already, which, despite a remark I made earlier in our conversation, probably did incite some Oedipal energies. But while I have come to greatly admire Gadamer’s work (and Heidegger’s even more so), I have always hated the authoritarian way in which my academic advisor handle interpretation – even more so when he pretended that his method was “dialogic”. (GUMBRECHT, 2006, p. 11)

A resposta ao entrevistador, finalizada com a declaração quase confessional de que “Nevertheless, I believe – or should I say I fear? – that the Oedipal (self-) interpretation goes a long way in my case” (GUMBRECHT, 2006, p. 12), remete ao artigo “From Oedipal Hermeneutics to Philosophy of Presence (2007), que sintomaticamente exibe o sugestivo subtítulo “Uma fantasia autobiográfica” (1). O relevo inicialmente dado a mudanças paradigmáticas nos estudos literários institucionais, focando heresias acadêmicas como origem de revoluções paradigmáticas nas humanidades, é transferido para o âmbito de prováveis tensões geracionais no espaço disciplinar dos estudos literários e de seus incontáveis vínculos com conflitos dramáticos no plano histórico-político. Os argumentos de Gumbrecht, à luz de suas reações pessoais, alimentam-se de uma “ambígua suspeita” da subsistência de vestígios ocultos, ou pelo menos ignorados, de “certa continuidade problemática”, que incitam novas gerações a buscar uma “descontinuidade definitiva e incondicional”. Nesta ótica, as suas referências evocam as relações entre o passado nazista e o tempo pós-guerra na Alemanha, como cenário de tensões e conflitos dramáticos que afetam as estruturas internas e externas da academia e de seus habitantes. Centrado na figura do seu orientador (mein Doktorvater), Hans Robert Jauss, que nasceu em 1921, no ano estatisticamente típico para os que participaram de ações militares na Segunda Guerra Mundial, Gumbrecht constrói uma imagem biográfica destoante do ego-escrito produzido por aquele “cujo nome jurou nunca mais mencionar em espaços públicos”. Naquela Historia calamitatum et fortunarum mearum, de 1989, idealizada como contribuição autobiográfica para uma história intelectual, havia lacunas propositais detectadas pelo discípulo que, no melhor estilo de uma hermenêutica edípica inspirada em Harold Bloom, sentia-se compelido a preenchê-las para, deste modo, lograr ferir o pai.

O gesto de Gumbrecht se baseia precisamente no modelo de sucessivas e cada vez mais intensas e devastadoras revoltas edípicas, em que os filhos, mais fracos, procuram ferir os pais, debilitá-los, produzir danos, precipitando, assim, certa decadência, em termos de sua qualidade intelectual. As armas do filho, no caso o projeto intelectual de uma filosofia da presença, em contraposição ao ideário do grupo Poetik und Hermeneutik, se explicam, nesta perspectiva bloomiana de sua fantasia autobiográfica, como possibilidade de escapar à sombra opressiva do pai mais forte de duas maneiras. As circunstâncias da primeira revolta edípica de Gumbrecht abrangem a convivência, entre 1971 e o final de 1974, com o pai doutoral, romanista e teórico de literatura, já então conhecido como um dos fundadores dessa instituição e internacionalmente conhecido como idealizador da Estética da Recepção. Na condição de seu orientando, ele dependia portanto da sua boa vontade, incluindo a posição como assistente na recém-fundada Universidade de Konstanz.

Gumbrecht recorda-se daquele tempo nos seguintes termos:

Ele foi, intelectualmente, uma pessoa muito importante para mim. Na Alemanha, um assistente na universidade é um assistente de alguém. Um assistant professor nos Estados Unidos é uma pessoa que mesmo não tendo ainda um emprego para toda a vida, trabalha independentemente, não tem um chefe como na Alemanha. Jauss e eu nos achávamos mutuamente bastante antipáticos, mas nós trabalhávamos bem em conjunto. Pouco tempo depois saiu uma notícia de que Jauss, que sempre se disse um homem de esquerda, teria sido não somente um oficial de alto escalão da SS, mas talvez teria sido um daqueles vinte e cinco oficiais da SS que teriam acompanhado Hitler em seu bunker. Para mim foi uma desilusão existencial enorme e uma memória muito traumática (...). De qualquer forma, eu prefiro não falar de Jauss para não criar polêmica. (ANTONIOLLI; BATALHONE JR., 2009)

Essa fantasia povoa também o seu relato autobiográfico e, segundo ele, a despeito da sua veracidade, a suspeita de que Jauss teria pertencido à seleta unidade militar, responsável na primavera de 1945 pelo funcionamento cotidiano, transformou-se numa autêntica obsessão desde que assistiu ao filme alemão histórico, A queda (GUMBRECHT, 2007). Apesar da lembrança de que o seu relacionamento com o orientador nunca tinha sido fácil,

(...) seria desonesto da minha parte não admitir que me beneficiei enormemente da minha aprendizagem com ele (e sobretudo “sob” ele). Jauss era um leitor meticuloso, autorizado e autoritário, de cada uma das páginas que escreviam seus estudantes de doutorado e seus assistentes (na tradição acadêmica alemã, os “assistentes acadêmicos” eram naquele momento os assistentes pessoais dos catedráticos). Devo a Jauss a premissa de que certo grau de familiaridade com a tradição filosófica ocidental é uma condição imprescindível para a compreensão histórica e quiçá para a apreciação estética da literatura europeia, e sem dúvida foi graças a sua grande reputação, tanto como a de sua escola, que a minha transição aos níveis superiores da profissão acadêmica na Alemanha se realizou com rapidez e facilidade. (GUMBRECHT, 2007)

Quando, em 1971, Gumbrecht se tornou assistente de Jauss na Universidade de Konstanz, estava convencido de que a Estética da Recepção tinha potencial para marcar uma diferença democrática nos estudos literários, por sua ênfase numa relação dialógica com o leitor. Um episódio do seu arquivo “familiar” destruiu a própria base desta confiança, quando o orientador fez valer a sua autoridade hierarquicamente superior, desqualificando uma pesquisa do pupilo, num ambiente competitivo da faculdade, pela falta do conhecimento mais elementar da hermenêutica literária. A humilhante e inesperada derrota desta condenação pública deixou cicatrizes e “a relação com o meu antes tão admirado e, inclusive, amado Doktorvater, nunca mais seria a mesma”. Derrotado e deprimido, o seu deliberado ataque edípico teve que esperar até 1975 quando, por ocasião de sua independência acadêmica como catedrático em Bochum, dedicou o primeiro ensaio a demonstrar os fundamentos equivocados de um dos pressupostos básicos da teoria da recepção. O segundo ataque edípico foi mais geral do que pessoal e se dirigiu aos colóquios e às publicações do grupo Poetik und Hermeneutik, apesar de sua opinião favorável acerca de sua qualidade intelectual. A frustrada ansiedade de fazer parte deste grupo elitista como membro permanente é analisada, nesta perspectiva edípica, como motivação para organizar os colóquios alternativos antes referidos.

O sucesso destas publicações é computado na fantasia autobiográfica como sentimento de que “tínhamos ganhado nossa primeira ofensiva”. Uma nova oportunidade se deu por ocasião da jubilação de Jauss, em 1995, e o ritual acadêmico da candidatura à Cátedra da Universidade de Konstanz para ter a “considerável honra de se converter em seu sucessor”, apesar dos sinais do declínio de sua “fama e glória”, como consequência do seu passado nazista. Apesar da não inclusão na lista tríplice composta por dois discípulos de Jauss e um candidato externo – “em minha paranoia interpretei esta lista (provavelmente sem justificativa) como gesto humilhante para mim” – “agora me sentia como herói”, em comparação com o trauma sofrido antes. A ousadia e “extrema provocação” de apresentar, na ocasião, um esboço do programa de uma nova “crítica não-hermenêutica”, como afronta à “furiosa reação do mestre e da maioria de seus amigos, clientes e seguidores universitários”, agrupados em torno dele como se fosse necessário protegê-lo do terrorismo intelectual e, ao mesmo tempo, os muitos aplausos ocultos para o “meu espírito de rebeldia”, transformaram a derrota em orgulho. A resposta de Gumbrecht aos filhos acadêmicos modelares e leais que atribuíram o gesto provocador às primeiras notícias relacionadas à participação de Jauss na Waffen-SS e pediram a sua condescendência em relação ao antigo orientador, “levando em conta todo o tipo de circunstâncias históricas específicas que poderiam explicar e perdoar o seu erro nazista juvenil”, é formulada na seguinte crítica autorreflexiva:

Por que eu deveria me sentir obrigado a fazer um tal esforço a favor de uma pessoa que não só havia cometido o erro crasso de se alistar, sem nenhuma necessidade de fazê-lo, nas filas de uma das ideologias mais abomináveis e as tiranias mais atrozes na história da humanidade, e que sucessivamente havia mentido de maneira sistemática a seus alunos e colegas sobre esta decisão e sobre sua culpa, remetendo a estas mentiras sua suposta superioridade moral e política? À diferença dos colegas e amigos que não conseguiam suportar a simples ideia de que seu pai acadêmico fosse humilhado publicamente, nesse momento entendi – talvez com certo grau de cinismo? – que me distanciar visivelmente de Jauss sem cair em acusações demasiadamente agressivas só poderia operar a meu favor. (GUMBRECHT, 2007)

A oferta, em 1988, de uma cátedra de Literatura Comparada na Universidade de Stanford, uma das mais importantes instituições acadêmicas do mundo, trouxe alívio pela possibilidade de um distanciamento espacial e institucional de um passado alemão que o silêncio de uma geração de perpetradores havia imposto a sua geração. E a figura de Jauss se tornou tão pequena vista das margens do Pacífico que a “atração de qualquer projeto edípico futuro se dissipou”. Mesmo assim, quando começou a desenvolver – sob o manto edípico do não-hermenêutico – o projeto de “produção de presença”, relativo às dimensões culturais que surgem da relação dos nossos corpos com as coisas circundantes, em sua própria experiência – “e o digo com orgulho quase infantil” –, esta filosofia da presença se encontra tão distante de sua formação acadêmica “como o Lago de Konstanz do Pacífico” e representa, de certo modo, a sua maneira de enfraquecer a hermenêutica.

A sessão de estreia na universidade de Konstanz da encenação do monólogo do autor e crítico Gerhard Zahner, Die Liste der Unerwünschten (A lista dos indesejados), em novembro de 2014, transformou o palco do auditório Maximilian em praça pública de um debate crítico provocador da própria sociedade. Um desejo sempre presente, mas pouco realizado, no teatro e na academia. O projeto, negociado entre o dramaturgo e o reitor no ano anterior, retomava a moldura da aula inaugural do romanista Hans Robert Jauss no mesmo espaço universitário, mas substituindo o tema da história literária em sua famosa palestra de 1966 pela própria história de vida do “mandarim de Konstanz e do seu passado na Waffen-SS”, como se lê no comentário de Dirk Pilz (2015), Das unerwünschte Theater (O teatro indesejado). O título – uma repetição em diferença do nome da própria peça teatral – acentua o clima de incompreensão e animosidade por parte de alguns antigos colegas e orientandos e de ex-reitores em relação à atitude do dramaturgo e do reitor, Ulrich Rüdiger, em defesa da apresentação do monólogo, justificada pela necessidade de aprofundar a discussão sobre o romanista Jauss, o seu passado, a sua carreira e a sua forma de estruturar os estudos literários. A encomenda de um parecer paralelo do historiador Jens Westemeier – especialista da história militar do Terceiro Reich – acerca da biografia do professor fundador da Universidade de Konstanz tinha por objetivo respaldar o gesto ousado da instituição acadêmica de querer afrontar, com verdades incômodas, o silêncio conivente, confortável mas embaraçoso de toda uma geração.

A estreia da peça precedeu o fim da investigação, mas o próprio dramaturgo, sem conhecer o seu conteúdo, contou com pesquisas documentais, com esparsas e pouco confiáveis explicações, dissimulações e mentiras do investigado e com as descobertas do romanista Earl Jeffrey Richards, já nos anos 1990, de fatos relativos ao pertencimento de Jauss à Waffen-SS e a sua participação em crimes de guerra. A documentação científica, Jugend, Krieg und Internierung: Wissenschaftliche Dokumentation (WESTEMEIER, 2015), apresentada pelo historiador em maio de 2015 no mesmo auditório, não confirmou todos os fatos sugeridos na encenação teatral. Westemeier atestou que a companhia comandada por Jauss participou de crimes de guerra na Croácia, perseguindo, expulsando e saqueando populações rurais. Entretanto, uma atuação individual nestes crimes não pôde ser comprovada, ainda que o historiador excluísse a possibilidade de Jauss não ter tido conhecimento dos crimes praticados pelos membros da companhia sob a sua responsabilidade.

O título da peça remetia à existência de uma lista de indesejados elaborada supostamente com aval de Jauss, que tematizava a exclusão de uma centena de combatentes voluntários franceses a serem integrados na Waffen-SS, declarados como inaptos – judeus, homossexuais, alcoólatras, em dissonância com a ideologia nazista – e o envio destes para campos de concentração. O documento científico corrige esta afirmação ao atribuir esta tarefa aos oficiais franceses e sublinhando, ainda, que os excluídos não deviam ser considerados vítimas à medida que a função exercida nestes campos era administrativa.

Nesta contenda dinâmica entre o eu que se escreve e o outro que me escreve, a última palavra pertence a Hans Ulrich Gumbrecht. Westemeier o menciona, com referência ao seu livro de 2012, Nach 1945: Latenz als Ursprung der Gegenwart (Depois de 1945: latência como origem do presente, 2014), por causa do desprezo alimentado por aquele acadêmico arrogante e hipócrita, suas manobras de dissimulação e mentiras deslavadas, usando este juízo em apoio à síntese final do seu próprio diagnóstico: a narrativa herdada de Jauss não corresponde à conclusão documental da contra-narrativa do historiador (WESTEMEIER, 2015). Na encenação teatral de Zahner, o personagem Jauss afirma que a verdade e a realidade do passado nazista e a sua permanência na consciência do presente nunca terminam porque a mentira continua viva em novas verdades táticas. Por seu lado, Gumbrecht mais uma vez pode sentir o prazer de vencedor, porque, contrariando a convicção do personagem Jauss de que nada nunca poderá ser comprovado, a revelação documentada da verdade infame destruiu o pai (doutoral) no lugar de sua maior fama, a universidade de Konstanz. Em 6 de julho de 2015, o jornal Südkurier exibe a manchete “Ich will ihm nicht dankbar sein” (“Não lhe quero ser grato”), seguida no interior por uma frase que soa como ponto final nesta relação conturbada: “Continuei trabalhando ainda alguns anos com o meu orientador após o doutorado e até hoje muitos continuam associando-me a ele. Mas eu não aceito que os nossos nomes sejam pronunciados ao mesmo tempo” (GUMBRECHT, 2015). (2) 

4. Os exemplos comentados tiveram por finalidade destacar, nesta encenação de experimentos de ego-história intelectual contraditórios, o relevo dado ao inescapável cruzamento de linhas que conectam formas autoexpressivas de caráter pessoal com as ideias herdadas do passado, com as mudanças provocadas pela emergência desestabilizadora de propostas e de plausibilidades e preferências que ultrapassam não só a esfera dos debates nos respectivos campos disciplinares e de suas comunidades cientificas em direção a interesses transdisciplinares, mas abrangem – e afetam – igualmente o espaço público de dimensões políticas e de relações que atravessam fronteiras. Essas articulações não se explicam por meras relações de causa e efeito, mas como vinculações complexas, heterárquicas e contingentes e, por isso, em permanente movimento.

NOTAS

1. As minhas citações referem-se a “De la hermenéutica edípica a la filosofía de la presencia”, 2007. A tradução destas, originalmente em espanhol, é minha.

2. A tradução da citação, originalmente em alemão, é minha.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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GUMBRECHT, Hans Ulrich. Ich will ihm nicht dankbar sein. Südkurier, Konstanz, 6 juni 2015. Disponível em: <http://www.suedkurier.de/nachrichten/kultur/8222-Ichwill-ihm-nicht-dankbar-sein-8220;art10399,7906417>. Acesso em: 1 ago. 2015. 

______. Depois de 1945: latência como origem do presente. São Paulo: Ed. UNESP, 2014.

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WESTEMEIER, Jens. Jugend, Krieg und Internierung: Wissenschaftliche Dokumentation. Geiselhöring: [s.n.], Mai. 2015.

ZAHNER, Gerhard. Die Liste der Unerwünschten. Konstanz: Universidade de Konstanz, 19 nov. 2014. Encenação teatral.

 

Heidrun Krieger Olinto é professora emérita da PUC-Rio. Doutora em Ciência da Literatura pela UFRJ, realizou estágio pós-doutoral na Universidade de Bremen, Alemanha. Suas pesquisas concentram-se nas áreas de teoria da literatura e historiografia literária com ênfase na escrita (auto)biográfica e em questões vinculadas a processos de comunicação literária numa perspectiva sistêmica e transdisciplinar. É supervisora da Linha de Pesquisa Desafios do Contemporâneo: teorias e crítica do Programa de Pós-Graduação Literatura, Cultura e Contemporaneidade do Departamento de Letras da PUC-Rio, e pesquisadora com bolsa de produtividade do CNPq.

 

Ilustração: Blur4, de José Eduardo Deboni/Flickr 

 

COMO CITAR
OLINTO, Heidrun Krieger. RELATOS AUTOBIOGRÁFICOS DESFOCADOS. RED_Revista de Ensaios Digitais. Rio de Janeiro. Número 1, 2015. ISSN: 2525-3972 Disponível em http://revistared.com.br/artigo/56/relatos-autobiograficos-desfocados.

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