Ensaios SERGIO BARCELLOS

DIÁRIOS: UM TRABALHO DA MEMÓRIA OU DO ESQUECIMENTO?

Sergio da Silva Barcellos (UERJ)

 

Tempo, memória e escrita diarística: sob esse título me propus a investigar o aspecto da temporalidade do diário pessoal em conexão com os processos da formação e consolidação da memória (1). Mais propriamente, com a definição neurocientífica de memória enquanto capacidade de um organismo para armazenar, reter e recordar informações e experiências. Uma função cerebral que envolve a aquisição, conservação e evocação de informações que podem ser de qualquer tipo. Se pertinente, minha hipótese apontaria uma distinção fundamental entre a temporalidade da escrita autobiográfica em geral e a do diário, em particular. A partir, também, dessa distinção, seria possível abranger a discussão sobre a referencialidade, que caracteriza as escritas autobiográficas mas que, ao mesmo tempo, problematiza sua análise por conta de interferências de elementos tais como a mentira ou a falsa memória e, mais importante, a inevitável reconstrução do passado ocorrida na rememoração ou evocação.

Uma primeira abordagem seria a diferenciação da memória inscrita no diário daquela inscrita nas autobiografias e memórias. A primeira estaria mais próxima temporalmente ao fato vivenciado ou testemunhado. A segunda, distante no tempo, representaria um exercício de olhar retrospectivo que acarretaria uma reconstrução do passado em um ato de escrita do presente. Aqui, já introduzindo precocemente uma problematização que perpassaria toda a tentativa de diferenciação das memórias contidas no diário e nas autobiografias: o diário, escrito no presente, sobre um passado próximo, seria uma narrativa a priori, enquanto as autobiografias, escritas no presente sobre um passado, geralmente, mais distante, seriam uma escrita a posteriori. Em que medida essa determinação do ponto temporal (2) da elaboração da escrita seria relevante para a diferenciação do conteúdo das narrativas, através da perspectiva de memórias evocadas? O diário, como afirma Philippe Lejeune, é uma escrita que ignora o futuro. A autobiografia, é uma reconstrução do percurso passado, com pleno conhecimento do desfecho e com autonomia sobre os cortes, inclusões e exclusões ao longo da narrativa.

As narrativas autobiográficas retrospectivas realizam um recorte temporal na experiência a ser narrada. Muitas vezes, um recorte espacial também é necessário. Há um processo de escolha dos personagens que vão constar da narrativa; seja por grau de valor simbólico ou relevância na história de vida, seja por mero acaso: são os que foram lembrados, enquanto muitos outros se dissiparam no tempo pela força do esquecimento (3). Somado a isso, poder-se-ia também deduzir que haveria uma gama de motivações subjacentes à elaboração de uma narrativa autobiográfica retrospectiva: motivações pecuniárias, emocionais, históricas, judiciais, etc. As motivações pecuniárias, as mais simples, seriam aquelas que justificam a existência de diários de celebridades ou de aspirantes à fama: extrair da popularidade momentânea o máximo de lucro possível através da comercialização de uma diversidade de produtos (e, infelizmente, as autobiografias ou memórias servem efetivamente ao propósito). Como resultado das motivações emocionais, poderiam constar aquelas narrativas que – independentemente de terem um forte apelo comercial – servem também, ou principalmente, para reportar uma história de superação: de traumas, de doenças ou de situações-limite. As motivações históricas e judiciais são autoexplicativas. As primeiras se destinam a fixar uma imagem desejada na perspectiva histórica, enquanto as últimas funcionariam como uma reiteração da inocência ou da imputação de culpa (4).

O diário não estaria a salvo dos recortes espaço-temporais, tampouco dos processos de inclusão e exclusão de personagens. No entanto, as exclusões não ocorreriam, necessariamente, em função da força do esquecimento, já que se trata de registro de eventos e vivências ocorridos em um espaço de tempo relativamente curto. Gostaria de retornar a esse ponto oportunamente, ao me concentrar nos aspectos fisiológicos da formação das memórias autobiográficas. No que concerne às motivações subjacentes à manutenção de um diário, há também uma grande diversidade, porém de natureza bastante distinta daquelas enumeradas no projeto de elaboração de uma narrativa autobiográfica retrospectiva. Sem a ambição de esgotar as possibilidades, Philippe Lejeune enumerou as funções do diário pessoal: conservação da memória, sobrevivência, desabafo, autoconhecimento, deliberação, resistência, reflexão e prática de escrita. Atenho-me à função de conservação de memória. De acordo com Lejeune, que assume a voz do diarista (que de fato é), a função do diário como repositório da memória, garde-mémoire, se deve ao fato de querer poder

(...) amanhã, dentro de um mês ou 20 anos, reencontrar os elementos de meu passado: os que anotei e os que associarei a eles em minha memória (de tal forma que ninguém poderá ler meu diário como eu). Terei um rastro atrás de mim, legível, como um navio cujo trajeto foi registrado no livro de bordo. Escaparei desse modo às fantasias, às reconstruções da memória. Terei minha vida a minha disposição. Talvez nunca ou raramente abra esses cadernos: mas sei que poderei fazê-lo. Além disso, a anotação quotidiana, mesmo que não seja relida, constrói a memória: escrever uma entrada pressupõe fazer uma triagem do vivido e organizá-lo segundo eixos, ou seja, dar-lhe uma “identidade narrativa” que tornará minha vida memorável. É a versão moderna das “artes da memória”, cultivadas na Antiguidade. O diário será ao mesmo tempo arquivo e ação, “disco rígido” e memória viva. (LEJEUNE, 2006, p. 261-262)

Lejeune nos oferece uma riqueza de tópicos em sua quase poética afirmação. A primeira, de imediato, se refere ao que ele chama de “reconstruções da memória”. Para além dos recortes já mencionados, a neurofisiologia da memória contribui para demonstrar como essas reconstruções ocorrem. Em um primeiro momento, há a consolidação da memória, que ocorre com a transformação da realidade em códigos cerebrais. Em seguida, na evocação da memória, há a transformação dos elementos desses códigos cerebrais em uma versão diferenciada da memória. Portanto, entre o que se vivencia ou testemunha e o que é armazenado como memória, há um processo de modificação – “permanente ou ao menos muito duradoura – da forma e da função das sinapses das redes neurais de cada memória” (IZQUIERDO, 2011, p. 79). No momento da evocação da memória, ainda segundo Izquierdo, irá ocorrer uma reativação das redes sinápticas de cada memória. O processo não é tão simples quanto retirar um cartão de um fichário, onde estão inscritas as informações daquela memória específica:

Para evocar uma memória é preciso recriá-la conclamando à ação o maior número possível de sinapses pertencentes aos estímulos condicionados dessa memória. É como reconstruir uma casa: quanto mais tijolos se tem à disposição, melhor será a reconstrução; se há algum indicativo de a que lugar da casa pertenciam grupos desses tijolos, a tarefa poderá ser facilitada. (IZQUIERDO, 2011, p. 79)

Além da inevitável reconstrução da memória, há a triagem consciente do vivido e sua organização segundo eixos – portanto, uma operação semelhante àquela dos recortes de espaço e tempo, de inclusões e exclusões igualmente conscientes, que detectamos no processo da narrativa autobiográfica retrospectiva. Em vez de inviabilizar o prosseguimento da reflexão, essa semelhança de processos fortalece ainda mais a necessidade de distinção dos efeitos da temporalidade nos dois tipos de práticas de escrita autobiográfica.

No entanto, ainda no rastro da aceitação ou rejeição da noção de que o diário sirva como um repositório de memórias, Robert Fothergill, a princípio, parece compartilhar a mesma opinião de Philippe Lejeune. Para ele,

A preservação da memória, para a grande maioria – pelo menos atualmente –, talvez seja a motivação mais natural para a manutenção de um diário. O prazer em descobrir quantas memórias são revividas por cartas antigas, lembranças, e assim por diante, conservadas ao acaso, é sempre um incentivo eloquente para garantir-se um fornecimento regular de prazer. (FOTHERGILL, 1974, p. 72).

No entanto, um diário como repositório de memórias ou um auxiliar na rememoração representa uma faca de dois gumes – para utilizar a própria expressão de Fothergill, que argumenta que

O desejo de registrar ao máximo as experiências de cada dia para uma futura rememoração é um motivo óbvio, porém não o suficiente para justificar a escritura. Por si só ele não tem a urgência de uma necessidade psicológica, e pode facilmente sucumbir à perda de interesse ou à sensação de que “nada aconteceu hoje”. (FOTHERGILL, 1974, p. 72)

Fothergill aceitará o diário como um tipo de armazenamento mnemônico designando seu conteúdo como “alimento para a nostalgia” – que pode ser a do próprio diarista, ilustrando o que Lejeune sugere com “ninguém poderá ler o meu diário como eu”, citado anteriormente, ou de outrem, que se valeria da descrição de um tempo e espaço, de uma história coletiva já passada, para um exercício de viagem no tempo. Seu posicionamento nos remete, uma vez mais, à reflexão sobre o recorte ou triagem do vivido para seu registro no diário. Diante da proximidade temporal e espacial, em alguns casos, entre o ocorrido e o registrado, teria o diário alguma vantagem em comparação a um registro posterior do mesmo evento ou vivência? Cremos que sim. Alguns diaristas assumem para si a missão de cronistas de seu tempo e de seu mundo. E, na ânsia de tudo registrar, ignoram critérios de relevância do que merece ou não constar de seus registros. Talvez isso explique a ausência de urgência psicológica a que se refere Fothergill. Isso também explica a natureza descontínua da narrativa diarística. Não há, em muitos momentos, razão para dar continuidade a um relato. O que aconteceu, extinguiu-se no passado, não se desdobrou e avançou em direção ao futuro e, assim, não merece ser sistematicamente referido no diário. Deixou de ser, portanto, matéria para o diário.

Deixando de lado a controvérsia sobre a importância do registro diarístico de experiências cotidianas (5), é incontestável que memórias são preservadas, de uma forma ou de outra, uma vez inseridas na dimensão da escrita diarística, fazendo do diário, sim, um repositório de memórias – um livro de bordo da vida, como quer Lejeune. Talvez esses registros de experiências de vida venham a assumir um estatuto diferente como memória: o registro de um “devir memória”. Sabe-se, atualmente, que o processo de consolidação da memória de longa duração leva em torno de seis horas – o registro, dessa forma, pode ocorrer ainda no período de tempo anterior à consolidação da memória. Ele, o registro, estaria operando como um ato de ratificação ou ensaio da memória, para reafirmação de sua importância, com o objetivo de consolidação? Izquierdo explica ainda que:

Assim, depois da fase de consolidação celular, que dura desde a aquisição até 6 horas mais tarde e que ocorre basicamente no hipocampo, desencadeiamse, nesta mesma estrutura, pelo menos dois processos que determinam a persistência da memória. Ambos se iniciam 12 horas depois da aquisição. (IZQUIERDO, 2011, p. 77)

O registro diarístico de um evento ou vivência, efetuado nesse período de tempo teria, necessariamente, um papel relevante para o processo de consolidação da memória, visto que ocorre, muitas vezes, antes da consolidação definitiva da memória. Assim, torna-se evidente o fato de que a escrita é, inegavelmente, uma aliada da preservação da memória. Mas nem sempre teria sido assim considerada: a filosofia clássica já havia sugerido, através do diálogo entre Sócrates e Fedro, em Fedro, de Platão, que a escrita, em vez de solucionar o problema do esquecimento, seria na verdade sua causa:

Porque essa descoberta [a escrita] vai produzir esquecimento na mente daqueles que a aprendem: eles não vão exercitar a memória por causa da sua confiança na escrita, que é algo exterior, provindo de caracteres alheios, e não vão eles mesmos praticar a lembrança interior. Especificamente, a invenção é um elixir da lembrança, e não da memória, e o que é oferecido aos discípulos é uma aparência de sabedoria, não verdadeira sabedoria, pois se tornarão muito informados, mas sem instrução, e terão, assim, a aparência de que sabem de várias coisas quando na verdade são, na maior parte, ignorantes e difíceis de conviver, já que não são sábios, mas apenas aparentam ser. (PLATÃO, 2000, p. 121) (6)

Apesar dessa discussão que põe em dúvida a pertinência da escrita, a Antiguidade clássica testemunhou a disseminação de um instrumento de preservação de memória, através da escrita: os hupomnêmata, examinados por Michel Foucault em “A escrita de si”. Foucault descreve os hupomnêmata como um tipo de caderneta mantido pelos gregos antigos que não podem, porém, ser comparados com algum tipo mais confessional ou pessoal de escritura, que somente surgiriam mais tarde na literatura cristã, e tampouco com os gêneros autobiográficos mais contemporâneos.7 Não eram considerados uma criação artística ou literária mas uma construção do sujeito através da coleta e armazenamento de tudo o que era ouvido, aprendido e discutido: “É a sua própria alma que é preciso criar no que se escreve” (FOUCAULT, 2006, p. 152), argumenta. Ele vai além, explicando que não se trata de um dispositivo de armazenamento de fatos, um repositório de memória:

Não se deveria considerar esses hupomnêmata como um simples suporte de memória, que se poderia consultar de tempos em tempos, caso se apresentasse uma ocasião. Eles não se destinam a substituir eventuais falhas na memória. Constituem de preferência um material e um enquadre para exercícios a serem frequentemente executados: ler, reler, meditar, conversar consigo mesmo e com os outros, etc. (FOUCAULT, 2006, p. 148)

Assim, em vez de serem considerados um simples repositório de memórias, estes instrumentos eram uma evidência material da constituição do sujeito. Para melhor explicar como isso se processava, Foucault cita Sêneca e a metáfora do coro:

Em um coro, há vozes agudas, graves e médias, timbres de homens e de mulheres: “Nenhuma voz individual pode nele se distinguir; somente o conjunto se impõe ao ouvido (...). Gostaria que fosse assim com nossa alma, que ela tivesse boa provisão de conhecimentos, preceitos, exemplos retirados de muitas épocas, mas convergido em uma unidade”. (FOUCAULT, 2006, p. 153)

Todos os fragmentos de conhecimento adquirido se mesclam em um mesmo tecido, o qual, para Sêneca, viria a ser a essência do ser. Como um ato, a escrita do hupomnêmata era igualmente importante, pois, como Foucault explicita, “a escrita transforma a coisa vista e ouvida ‘em forças e em sangue’ (in vires, in sanguinem). Ela se torna no próprio escritor um princípio de ação racional” (FOUCAULT, 2006, p. 152). Isso certamente nos remete uma vez mais ao que afirmou Philippe Lejeune sobre o diário ser “ao mesmo tempo arquivo e ação, ‘disco rígido’ e memória viva” Além de sugerir que a escrita não é apenas uma receita para a rememoração, mas algo muito mais complexo. E no caso da escrita diarística, a constituição de uma identidade narrativa.

A desconfiança em relação ao efeito contrário da escrita não foi exatamente a causa do desenvolvimento e difusão das “artes da memória”. Motivos mais triviais, tais como a escassez de ou dificuldade na aquisição de suportes de escrita teriam, sim, determinado a necessidade de outras formas de preservação da memória.8 A memória resultante das práticas das artes da memória, contudo, foi considerada uma memória artificial, uma vez que era consolidada a partir de treinamentos específicos, baseados em lugares e imagens – formando uma arquitetura da memória, um locus onde dispor-se-iam os elementos que se quisessem preservados pela memória. Retomando a reflexão sobre as artes da memória, já no século vinte, Frances yates veio a considerar a arte da memória como uma espécie de escrita interior, cuja função era a de auxiliar o sujeito a posicionar, em lugares específicos, o que tinha visto ou ouvido (9).

O que suscitou a dicotomia entrevista na escrita como um trabalho de memória ou de esquecimento em relação à prática da escrita diarística não foi somente a discussão instaurada pelos clássicos gregos, mas as palavras de Eric Kandel (10) sobre a noção de comunidades nos dias atuais. A ideia mesma do compartilhamento de experiências entre os indivíduos se alterou com o advento de novas tecnologias, tais como os smartphones, tablets, as mensagens de texto, etc. (11). Em uma entrevista na Biblioteca Pública de Nova york, Kandel expressou sua preocupação quanto ao que considera uma substituição da memória pelo acesso à internet. E ele explica que “as pessoas não mais memorizam coisas. Não têm que se lembrar de coisas, simplesmente consultam a internet. Assim, isso criará para as pessoas mais jovens um modo completamente novo de usar e reter informação” (KANDEL, 2012).

Kandel relembra, talvez remetendo a Marshall McLuhan, que quando a imprensa foi inventada os contadores de história desapareceram. Mas sobre a internet, ele não pode estar seguro de suas consequências: “Temos acesso a tudo na internet. Mas isso cria uma disposição mental diferente, e ainda é bastante cedo para medir as consequências disso” (KANDEL, 2012). Talvez, nem tão cedo assim. Em 2011, um grupo de psicólogos das universidades de Columbia, Harvard e Wisconsin-Madison publicaram resultados preliminares de uma pesquisa sobre os efeitos da internet na evocação de memória. “Google Effects on Memory: Cognitive Consequences of Having information at Our Fingertips”, assinado por Betsy Sparrow, Jenny Liu e Daniel Wegner reúne os resultados de quatro estudos paralelos que sugerem que

(...) quando confrontadas com perguntas difíceis, as pessoas estão preparadas para pensar em computadores e que, quando as pessoas esperam ter acesso futuro à informação, eles têm taxas mais baixas de recordação da própria informação, em comparação com a recordação de onde acessar a informação. (SPARROW; LIU; WEGNER, 2011, s/p)

São duas as maneiras de interpretar os resultados dessa pesquisa: os indivíduos usam menos seu potencial de memorização ou memorizam diferentemente. Então, talvez essa virada viesse a determinar o ocaso irreversível das artes da memória ou apontariam, como parece ser a mais sensata interpretação, uma transformação no processo de aquisição, retenção e evocação das memórias. Uma recusa à artificialidade da memória resultante das práticas das artes da memória, ainda que inconscientemente. Em resumo, em vez de diminuir a capacidade de evocação da memória, o que a internet faz é deslocar o foco da evocação: “A internet se tornou uma forma primária de memória externa ou transacional, em que a informação está arquivada coletivamente fora dos indivíduos” (SPARROW; LIU; WEGNER, 2011, s/p), explicam os autores, talvez remetendo a uma noção de diário universal ou memória coletiva.

Retomando a convergência de tópicos, torna-se necessário citar os estudos realizados por Paul John Eakin sobre a relação entre memória e escritas pessoais. Em uma palestra de 2009, Eakin aludiu sobre o que considerava uma negligência por parte dos estudos autobiográficos em relação à memória. Para ele, a memória estava sendo, até aquele momento, tratada mais como conteúdo do que como função do cérebro. A natureza da memória fora negligenciada porque os estudos autobiográficos, incluindo os seus próprios, se concentravam mais em memórias em vez de em memória. Eakin postulou a seguinte questão:

Se, como eu intento questionar, a memória é fundamental para a identidade, e identidade e individualidade são fundamentais para a escrita pessoal, por que nós não temos demonstrado mais interesse no aspecto físico e no funcionamento neurobiológico da memória, e nos condicionamentos social e cultural que norteiam o exercício da memória autobiográfica? (EAKIN, 2009)

Eakin aponta para alguns aspectos que podem mudar (ou mudaram) este cenário: o primeiro é o fato de vivermos na era da doença de Alzheimer, o que torna premente que aprendamos mais sobre a memória; o segundo aspecto é a velocidade com que se dão os avanços tecnológicos em imageamento do cérebro, que nos permitem aprender como funciona a memória. Na verdade, existem já estudos mais atuais que pretendem clarificar os meandros do trabalho da memória. E esses estudos também auxiliam na questão que é central nesse artigo: se a manutenção de um diário pessoal seria um trabalho da memória ou do esquecimento. Um exemplo de diário ou de escrita pessoal, no sentido mais geral, que combate o esquecimento é encontrado na iniciativa de um professor universitário aposentado da Califórnia, Morris Friedell que cofundou em 1999 a rede Dementia and Alzheimer’s Support Network International (http://www.dasninternational.org/), um blog comunitário ou público para pacientes de Alzheimer. De acordo com José van Dijck, a autora de Mediated Memories in the Digital Age

Na medida que eles mantêm os seus blogs e mensagens com links para blogs de outros pacientes, uma comunidade emerge e adota o blog como seu meio de ligação... o blog serve como um marcador pessoal de habilidades cognitivas que o paciente vai, inevitavelmente, perder, num momento posterior. (VAN DIJCK, 2007, p. 59)

Não se trata, contudo, apenas de um registro do processo de esquecimento; é similar a um método de contabilização das mudanças que estão ocorrendo nas suas concepções de identidade. Os efeitos devastadores da demência ou do Alzheimer tornam mais urgente a necessidade de tal prática de preservação de alguma forma de noção de identidade. A manutenção de um blog, no caso dos pacientes de Alzheimer, não pode ser diretamente comparada com a prática cotidiana do registro diarístico por uma pessoa que não apresente o mesmo quadro clínico. Entretanto, o exemplo dado por van Dijck revela como a escrita se torna um fator constitutivo de construção ou manutenção de identidade – ainda que, no caso, sejam os rastros de uma identidade evanescente.

A questão da memória como componente essencial da identidade pessoal permeou todo o projeto da pesquisa Tempo, memória e escrita diarística. Pensando no diário como uma atividade, tentava entender como a manutenção de um diário poderia contribuir para a consolidação da memória autobiográfica ou episódica – o caminho se mostrou mais frutífero ao aproximar as descobertas científicas acerca da fisiologia da memória. A partir do esquecimento, como contingência, e da manutenção do diário como método utilizado nas pesquisas, foi possível instaurar o diálogo multidisciplinar para a busca de comprovação da intuição inicial: o diário como uma espécie de protagonista no processo de consolidação da memória. Os estudos sobre consolidação ou formação de memórias de longa duração estabelecem que esse processo pode ocorrer num período de tempo que vai de três horas até um ou dois dias. De acordo com Madigan & Thompson (2005, p. 239),

Quando uma pessoa vivencia um evento, desde itens ouvidos no noticiário da manhã até algo que um amigo ou ente querido diz, ou mesmo um sonho, só se vivencia isso uma única vez e, ainda assim, isso é lembrado. Se o evento não for especial, não ocorrerá o ensaio dele – ou seja, não se pensará nisso posteriormente –, mas ele permanecerá na memória ainda por algum tempo. Algo deve acontecer muito rapidamente nos neurônios do cérebro, em milésimos de segundos ou em segundos, para que essa memória inicial se forme. E o que quer que seja, esse processo deve persistir pelo menos por alguns dias.

Apesar das controvérsias em relação ao tempo e aos tipos de consolidação de memória, um aspecto é bastante curioso: o ensaio (em inglês, “memory rehearsal”) como parte do processo de formação da memória. E o ensaio implica mais do que ficar ruminando o evento vivido ou presenciado. Inclui outras atividades, dentre elas o registro escrito dos eventos ou fatos. Em princípio, o método do diário foi aplicado em experimentos para investigar o grau de exatidão da memória através do tempo, pela análise de como detalhes críticos sobre experiências vividas poderiam se tornar imprecisos, perdidos ou reimaginados:

O estudo através do método do diário contorna esses problemas através da orientação de grupos de participantes no sentido de manterem um diário durante um período de semanas ou meses, durante o qual eles registram os detalhes dos acontecimentos cotidianos que eles julgam ser memoráveis. Desta forma, um registro de memórias autobiográficas verdadeiras pode ser coletado. (CONWAY et al., 1996, p. 69-95)

Sabendo de antemão que essa premissa da “memória autobiográfica verdadeira” é, por si só, uma questão bastante movediça, o que o estudo pretende é quantificar ou mensurar a capacidade de se verificar algum grau de precisão entre o que realmente ocorreu e o que foi efetivamente registrado no diário. Certamente, a própria compreensão do ocorrido – em muitos casos – está fora da análise, o que inviabilizaria discutir a integridade dessa “verdadeira memória autobiográfica”. Além disso, está claro que a rememoração não é uma reconstituição literal do ocorrido, mas uma reconstrução que passa pelo crivo da identidade atual do indivíduo. E exatamente por conta da proximidade temporal entre registro e experiências, a determinação de algum grau de exatidão é possível. Outros aspectos práticos podem ser utilizados na mensuração da precisão do registro diarístico e é por esse caminho que a ciência vem alcançando algumas conquistas no esclarecimento de tópicos bastante abstratos e relativos. Assim, fica evidente que não se trata de pôr em xeque o ato de registro de experiências em um diário, mas a sua função de repositório de memórias e a qualidade dessas memórias:

Estas memórias autobiográficas verdadeiras podem então ser apresentadas aos participantes, posteriormente, em um teste de reconhecimento, muitas vezes, em comparação com entradas de diário falsificadas. Os resultados destes estudos podem nos dar informações sobre o nível de detalhe retido na memória autobiográfica ao longo do tempo, e se certas características de um evento são mais salientes e memoráveis na memória autobiográfica. (BARCLAY; WELLMAN, 1986, p. 93-103)

A partir disso, outra questão emerge: se o registro no diário auxiliou ou não na manutenção de algum grau de precisão das memórias ou se a simples tarefa de “ruminar” a memória (memory rehearsal) era já o suficiente para garantir a sua consolidação. Daniel Schacter explica, de maneira mais direta, como se dá esse processo:

Se uma experiência é rapidamente esquecida ou lembrada por anos também depende do que acontece após os primeiros segundos, quando uma memória nasce. Os seres humanos são contadores de histórias, e tendem a contar histórias sobre si mesmos. Pensar e falar sobre experiências não só ajuda a dar sentido ao passado, mas também muda a probabilidade de uma subsequente recordação. Esses episódios e incidentes que são discutidos e ruminados estão a salvo, pelo menos parcialmente, da transitoriedade; aqueles que não são ponderados ou mencionados tendem a desaparecer mais rapidamente. É claro que as experiências que nos levam à reflexão e à análise, repetidamente, podem ser simplesmente mais memoráveis, em primeiro lugar. No estudo utilizando o método do diário, dirigido por Charles Thompson e outros, as experiências sobre as quais os estudantes relataram ter discutido e refletido posteriormente, na maioria das vezes, foram lembradas com mais riqueza de detalhes. (...) Pensar ou falar sobre um evento passado melhora a memória desse evento em comparação com experiências que não são ensaiadas (...) pensar e falar sobre experiências cotidianas é uma das melhores maneiras de assegurar que serão retidas. (SCHACTER, 2001, p. 31-32)

Diante do que foi examinado até o momento, a partir tanto dos estudos diarísticos quanto das pesquisas neurocientíficas acerca da natureza da memória, parece-nos claro que o diário ou a prática do registro regular de vivências e eventos funciona como um instrumento de produção de memória. A memória formada ou consolidada com o auxílio dessa prática de escrita estaria mais próxima do que ocorreu, revelando uma ausência de reconstrução da memória existente em narrativas retrospectivas convencionais. O diário, portanto, seria uma narrativa exemplar de um certo grau de referencialidade que parece se mostra muitas vezes claudicante em narrativas autobiográficas e memorialísticas. Assim, em vez de participar das atividades constitutivas de uma arte da memória, o diário pessoal estaria mais propriamente descrito com um trabalho da memória – com todos os seus percalços e especificidades.

NOTAS

1. Há uma tipologia da memória com base em diferentes aspectos ou funções. Um primeiro aspecto seria o temporal, determinando as memórias de longa e curta duração. Uma função ligada à temporalidade seria a de gerenciamento da realidade, em que a memória de trabalho exerce uma atividade fundamental. Em seguida, há as memórias classificadas de acordo com o seu conteúdo: sob a denominação de memórias declarativas, aquelas que concentram o registro de fatos, eventos ou conhecimento, estão as memórias episódicas ou autobiográficas, que se referem aos eventos dos quais participamos ou ao qual assistimos; e as memórias semânticas que incorporam os conhecimentos gerais adquiridos. Há também as memórias procedurais, memórias das capacidades e habilidades motoras e sensoriais, que não são passíveis de serem “declaradas”. Ou seja, para demonstrar que possuímos uma certa habilidade temos que demonstrá-la. A memória tratada nesse estudo é aquela de longa duração, declarativa e referente a fatos e eventos vivenciados ou testemunhados. São conhecidas também como memórias autobiográficas ou episódicas.

2. Essa determinação temporal, contudo, representa um terreno incerto por tratar o tempo como uma estrutura linear. Ela é eleita para possibilitar a análise, porém não seria possível desprezar o desenvolvimento da compreensão da natureza do tempo ao longo dos séculos. Santo Agostinho resume bem as escolhas necessárias: “Que é, pois, o tempo? Quem poderá explicá-lo clara e brevemente? Quem o poderá apreender, mesmo só com o pensamento, para depois nos traduzir por palavras o seu conceito? E que assunto mais familiar e mais batido das nossas conversas do que o tempo? Quando dele falamos, compreendemos o que dizemos. Compreendemos também o que nos dizem quando dele nos falam. O que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém mo perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei. Porém, atrevo-me a declarar, sem receio de contestação, que, se nada sobreviesse, não haveria tempo futuro, e se agora nada houvesse, não existiria o tempo presente” (SANTO AGOSTINHO, 1999).

3. Veremos mais adiante que o esquecimento não é bem um fruto do acaso. Assim como é necessária a preservação da memória, o esquecimento se torna fundamental para que se preserve o que é pertinente, importante, relevante. Caso contrário, seria como no conto de Borges, “Funes, o memorioso”, em que nada é esquecido. Ou como a realidade de alguns pacientes famosos da literatura médica, como o paciente “S”, descrito pelo psicólogo russo Alexander Luria. Mais recentemente, veio a público o drama de Jill Price, uma mulher diagnosticada com a síndrome de hipermemória, relatada no livro The Woman Who Can’t Forget. A função do esquecimento se torna essencial para que um indivíduo tenha uma vida minimamente normal. Caso contrário, a lembrança dos desafetos e desencantos jamais permitiria o sujeito alcançar um patamar razoável de satisfação na vida, perpetuando a vivência do sofrimento que poderia vir a causar uma depressão profunda e letal.

4. Nos dois tipos, há exemplos correntes. Após ser bem-sucedido na proibição da circulação de sua biografia, escrita por Paulo César de Araújo, Roberto Carlos anuncia que escreverá sua autobiografia, justificando que “ninguém contaria melhor sua vida” do que ele próprio. E no caso da motivação judicial, por conta do manifesto do grupo Procure Saber, que atuou junto ao Supremo Tribunal Federal para que biografias não autorizadas fossem definitivamente proibidas, veio novamente à tona a autobiografia escrita por Guilherme de Pádua, apresentando uma versão própria para a morte da atriz Daniela Peres. Acusado pela mãe da atriz de denegrir a imagem da filha, o livro foi retirado de circulação.

5. O tal registro cotidiano das insignificâncias ou, como definiu Maurice Blanchot, a dupla nulidade do diário: “Há no diário como que uma feliz compensação de uma dupla nulidade. Quem não faz nada na vida, escreve que não faz nada e pronto, é como se houvesse feito alguma coisa. Quem se deixa desviar da escrita pelas futilidades de seu dia, recorre a esses nadas para contá-los, denunciá-los ou se comprazer e, pronto, mais um dia cheio... Finalmente, portanto, não se viveu nada, nem se escreveu, duplo fracasso a partir do qual o diário encontra sua tensão e gravidade.” (BLANCHOT apud LEJEUNE, 2006, p. 266).

6. Naturalmente, o que está em jogo aqui é um pouco mais do que a mera discussão sobre a escrita abreviar ou neutralizar a capacidade de memorização. A memória, na Antiguidade, era compreendida a partir de duas tradições: dialética e retórica. A primeira, defendida por Platão, está fundamentada na filosofia moral grega e entende que os recursos mnemônicos devem estabelecer um processo de auto instrução e posterior instrução dos mais jovens. Enquanto que a segunda, a tradição retórica, estaria fundamentada na pura memorização e construção de arcabouços formais sem compromisso com a difusão e divisão de conhecimentos morais. Em resumo, a formação retórica esgotaria, em vez de alimentar, a memória, uma vez que dependeria de recursos exteriores que inibiriam a racionalização – capacidade inata do homem que, segundo Sócrates, não deveria ser desperdiçada. Isso nos faz pensar nas duas tendências barrocas para a construção dos sermões, o embate entre o cultismo e o conceptismo.

7. Apesar de não ser considerada uma escrita autobiográfica per se, pelo menos não por Foucault, os hupomnêmata foram incluídos no rol de práticas de escrita em que se vislumbra a emergência de um sujeito autobiográfico, em recente estudo elaborado por Philippe Gasparini, La tentation autobiographique: de l’ Antiquité à la Renaissance (2013).

8. Os suportes “portáteis” para a escrita basicamente incluíam os papiros, pergaminhos, tábuas de cera, vellum e, finalmente, o papel – que só foi introduzido na Europa por volta do século XV. Dessa forma, pode-se imaginar que a escrita não era uma prática comum não por falta de conhecimento ou necessidade, mas por dificuldades logísticas. Sobre a evolução dos suportes físicos para armazenamento de memória, ver: MALONE, 2012.

9. Aceita-se, como origem da arte da memória, o que narra Cícero, em De Oratore. Simônides, um poeta grego, teria inventado a arte da memória e sua mais famosa exibição de seus atributos teria ocorrido após um acidente num recinto onde ocorria um banquete. O teto do local desaba, matando todos os presentes. Somente Simônides sobrevive pois havia se retirado da sala minutos antes do acidente. Devido aos estragos causados pelo desabamento, a tarefa de reconhecimento dos corpos teria sido em vão, caso Simônides não fosse capaz de se recordar do local exato dos convidados à mesa – e, naturalmente, seus nomes.

10. Erik Kandel, neuropsiquiatra austríaco radicado nos Estados Unidos, é responsável pelo grande avanço nos estudos da memória. Recipiente do Prêmio Nobel de Medicina, em 2000, Kandel desvendou os principais processos de formação de memória através de pesquisas realizadas com moluscos. Ver: KANDEL, 2006.

11. E essa noção de comunidade unida pelos novos suportes tecnológicos, curiosamente, utiliza o texto escrito – a escrita e a leitura – para interagir, instaurando uma espécie de força-tarefa na construção de um novo tipo de memória coletiva.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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FOUCAULT, Michel. A escrita de si. In: MOTTA, Manoel Barros da (Org.). Ética, sexualidade, política. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.

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KANDEL, Erik. THE AGE OF INSIGHT: The Quest to Understand the Unconscious in Art, Mind, and Brain, From Vienna 1900 to the Present. New york, 2012. Entrevista concedida a Paul Holdengräber. Disponível em: <http://www.nypl.org/events/ programs/2012/03/28/eric-kandel-conversation-paul-holdengr%C3%A4ber?nref=121031>. Acesso em: 10 out. 2012.

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VAN DIJCK, José. Mediated Memories in the Digital Age. Stanford: Stanford University Press, 2007.

 

Sergio Barcellos é pesquisador independente. Recebeu o título de Mestre e de Doutor em Estudos de Literatura pela PUC-Rio. Realizou estágios de Pós-Doutorado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Uerj, e na Hosfra University, em Nova york, com o tema “Tempo, memória e escrita diarística”. Leciona anualmente um módulo no curso de Especialização em Literatura Brasileira, na Uerj e assinou diversos artigos acadêmicos. É autor dos livros Toque de silêncio: uma história de homossexualidade na Marinha do Brasil (Geração Editorial, 1997) e de Armadilhas para a narrativa: estratégias narrativas 178em dois romances de Carlos Sussekind (Velocípele, 2006). Organizou, também, o livro Vida por escrito: guia do acervo de Carolina Maria de Jesus (Bertolucci, 2015). É um dos membros fundadores da Iaba-Américas (International Auto/Biography Association).

 

Ilustração: Tourquise, Mixed Medea Collage Journal Page, de Constanza/Flickr 

 

COMO CITAR
BARCELLOS, Sergio. DIÁRIOS: UM TRABALHO DA MEMÓRIA OU DO ESQUECIMENTO?. RED_Revista de Ensaios Digitais. Rio de Janeiro. Número 1, 2015. ISSN: 2525-3972 Disponível em http://revistared.com.br/artigo/55/diarios-um-trabalho-da-memoria-ou-do-esquecimento.

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